Para Robin Williams

Para Robin Williams

É difícil encontrar alguém que não gostasse de Robin Williams. E foi com pesar que soube de sua prematura morte, hoje, dia 11 de agosto de 2014. Maior ainda foi meu pesar ao saber que suicidou-se devido a depressão, agravada por tratamentos para livrar-se de vícios em drogas. Ator talentoso, presente em tantos filmes marcantes, junta-se a tantos outros grandes nomes do Cinema e da TV que 2014 veio impiedosamente buscar. O ator venceu o Oscar, principal premiação de atores da Indústria norte-americana, apenas uma vez, por um papel de coadjuvante no bom Gênio Indomável. Foi, porém, muito mais do que um coadjuvante em tantos excelentes filmes como Pescador de Ilusões, Sociedade dos Poetas Mortos, Bom Dia, Vietnã, em comédias como Uma Babá Quase Perfeita, em fantasias como A Volta do Capitão Gancho ou O Homem Bicentenário e em filmes de suspense como Insônia ou Retratos de Uma Obsessão. A carreira já carecia de sucessos no cinema há alguns anos e a TV parecia ser, atualmente, seu terreno mais firme. Era uma trajetória que não merecia ser interrompida, ao menos não desta forma.

Em uma pequena seleção retrospectiva, recordo que foi Popeye, em 1980, ao lado da Olivia de Shelley Duvall, sob a tutela do aclamado Robert Altman.  Em 1987, é reverenciado (e indicado ao Oscar de Ator) por seu papel do idealista radialista Cronauer em Bom Dia Vietnã, filme de Barry Levinson, e seu grito matinal vira mania. O estrondoso sucesso do filme potencializa a carreira de seu astro. Une-se ao irreverente ex-Monty Python Terry Gilliam no ambicioso filme As Aventuras do Barão de Münchausen, em 1988. O filme não funciona mas a parceria rende o primoroso O Pescador de Ilusões em 1991. Filme extremamente tocante, no qual interpreta um mendigo nas ruas de Nova Iorque que dá sentido na vida do auto-destrutivo e potencial suicida ex-radialista vivido por Jeff Bridges. Filme forte, com personagens que ficam vívidos na memória e cenas de derreter geleiras. Não sei a relação com a música homônima d’O Rappa, mas não duvido que Marcelo Yuka tenha se inspirado no filme, de alguma forma, para alcançar sua composição.

É de 1989, no entanto, o seu filme mais (re)conhecido. Oh Captain, My Captain. O professor de literatura que vem para transgredir regras e ensinar o poder das convicções a seus reprimidos alunos. Subam nas cadeiras. Aplaudam de pé. Sob a direção de Peter Weir, Williams alcançava a sua segunda indicação ao Oscar e a consolidação da carreira, no filme que só nas salas de aula da minha adolescência eu devo ter visto umas quatro vezes. Em 1991, ao lado de Robert de Niro, participou da bela adaptação de livro do Dr.Oliver Sacks, Tempo de Despertar, para a telona. No mesmo ano, aliou-se a ninguém menos que Steven Spielberg para combater o Capitão Gancho de Dustin Hoffman em Hook. Em 1992 deu vida ao histriônico gênio da lâmpada de Aladdin, no sucesso da Disney. Em 1993, para não perder a guarda de seus filhos, vivia a adorável Babá Quase Perfeita Sra. Doubtfire, em filme dirigido pelo rei dos filmes-família Chris Columbus. Era uma época de ouro, filmes que marcaram a infância (e a vida) de tantos, como eu mesmo.

A partir do auge artístico e do reconhecimento, encadeou filmes como Jumanji, a refilmagem da Gaiola das Loucas, uma união (não tão bem sucedida) com Francis Ford Coppola no filme Jack; uma parceria com Woody Allen no ótimo mas pouco visto Desconstruindo Harry; um filme emocionante narrando a vida de Patch Adams, que tratava seus pacientes usando o humor como um de seus ingredientes. Neste meio tempo, a participação em Gênio Indomável e o seu Oscar. Trabalhou com os melhores atores e diretores, foi reconhecido por seu talento genial, por seu carisma, por suas escolhas como intérprete. Até, aos 63 anos, decidir que já tinha sido o bastante. Foi, certamente, a sua pior escolha.

Como um grande amante do cinema e alguém que viu todos os filmes aqui citados, deixo minha singela homenagem a este grande representante da sétima arte. Descanse em paz, meu Capitão. Este 171 é para você.

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